Ressonância da Onda de Maré na Plataforma Continental Amazônica

Ressonância da Onda de Maré na Plataforma Continental Amazônica

Discente: 
Augusto de Rubim Costa Gurgel
Orientador: 
Héctor Raúl Montagne Dugrós
Alex Costa da Silva

Este trabalho objetiva localizar áreas de ressonância na Plataforma Continental Amazônica
(P. C. A. ). A Plataforma Continental Amazônica é uma região de grande interesse
devido a sua dinâmica complexa. As áreas de ressonância resultam da interação ressonante
da onda de maré com o talude continental. A razão (Cres) entre a inclinação da onda
de maré e do talude continental caracteriza o tipo de reflexão que ocorre em determinada
região. O coeficiente Cres foi obtido a partir de dados hidrográficos de 23 perfiladores verticais
Condutivity-Temperature-Depth (CTD) do programa REVIZEE-NO, coletados durante
os meses de maio e junho de 1999, período de vazão máxima do rio Amazonas, 24 perfiladores
verticais do mesmo programa coletados entre os meses de outubro e novembro
de 1997, período de vazão mínima do rio Amazonas e da batimetria da região a partir do
banco de dados do ETOPO2. Quando as inclinações são iguais, ou seja, Cres = 1, ocorre
o fenômeno da ressonância. Levando em consideração uma margem de 10% para estudo
da região ressonante, valores acima de 1;1 resultam numa interação supercrítica e
valores abaixo de 0;9 subcríticas. Apesar dos fenômenos supercríticos e subcríticos terem
sido bem estudados, pouco se sabe das regiões ressonantes no fenômeno de interação
onda-talude. Em nosso estudo foi observado que a inclinação com que a onda de maré
chega ao talude se mantem inalterado em toda região, sendo a suavidade da inclinação
do talude o fator determinante do coeficiente de ressonância Cres, entretanto a variação da
densidade ocasionada pela vazão do rio Amazonas também interfere na variação do coeficente
de ressonância. Quanto mais suaves forem as inclinações, mais energéticas serão
as ondas. As áreas supercríticas e ressonantes são responsáveis pela re-sedimentação
na plataforma continental, já as áreas subcríticas não atuam nesse processo. Nossa análise
mostra que apenas 11% das regiões na P. C. A. são ressonantes quando a vazão é
máxima e apenas 10;7% quando a vazão é mínima. Este trabalho revela que as áreas ressonantes
e supercríticas são encontradas próximas a foz do rio Amazonas, atuando como
uma força contrária ao movimento dos sedimentos do rio. Este fenômeno é um fator importante
que deve ser considerado para explicar e quantificar a dinâmica dos sedimentos em
suspensão. O estudo da ressonância faz-se ainda necessário pois quando a frequência
da onda aumenta em um pequeno comprimento, tornando-se maior que a frequência de
Brunt-Väisälä, verifica-se a quebra da onda, que pode resultar em processo de inversão de densidade e em intensificação dos processos de mistura, gerando regiões mais propícias

para a biodiversidade marinha.