Efeitos de heterogeneidade e adaptação sobre processos de distribuição de renda.

Efeitos de heterogeneidade e adaptação sobre processos de distribuição de renda.

Discente: 
Luiz Carlos da Silva Junior
Orientador: 
Pedro Hugo de Figueirêdo

A investigação sobre a forma da distribuição de renda numa sociedade possui clara importância
para a organização desta comunidade e na possível adoção de políticas que mitiguem
graves concentrações de recursos, possibilitando uma ampliação do bem-estar e um desenvolvimento
econômico socialmente sustentável. Convencionalmente o parâmetro utilizado por
instituições governamentais e pesquisadores, para a quantificação da concentração de renda é
o índice de Gini, este parâmetro, compreendido no intervalo 0 G 1, indica máxima concentração,
no limite superior e perfeita equidade no inferior. Modelos estatísticos de muitos
agentes, são frequentemente utilizados na descrição de sistemas econômicos fechados e podem
reproduzir algumas características das distribuições de riqueza, como uma forma aproximadamente
exponencial para os valores intermediários de recursos e de uma lei de potência em valores
elevados. Neste trabalho obtemos via cálculo analítico, expressões para o índice de Gini
como função da taxa de gasto em modelos homogêneos e em modelos empíricos compostos por
dois regimes de renda, verificando que estes resultados são compatíveis com aqueles obtidos via
simulação computacional. Num segundo momento, introduzimos um modelo estocástico microscópico
que incorpora características de heterogeneidade e adapatabilidade à taxa de gasto
dos agentes, com isto obtemos os valores das taxas de consumo média do sistema hwi e do
índice de Gini como características emergentes, em contraposição aos modelos existentes na
literatura nos quais as mesmas são atribuídas de forma exôgena. O modelo consiste de um sistema
fechado contendo N agentes que podem interagir entre si por meio de sua quantidade de
resursos mi e de suas taxas de gasto wi. Admitimos que a dinâmica age de forma distinta para
uma fração p do sistema que pode alterar seu comportamento de gasto de forma correlacionada
ou anti-correlacionada com sua quantidade de renda/recurso. Com esta metodologia, obtemos
distribuições caracterizadas pela presença de dois regimes, um primeiro com média e largura
finitas e um segundo descrito por uma lei de potência com expoentes de Pareto compatíveis com aqueles reportados na literatura 1 n 2. Como forma de corrobrar nossos resultados,

os parâmetros produzidos pela dinâmica computacional são comparados com dados reais
disponíveis no Banco Mundial, apontando para uma região limitada da ocorrência dos mesmos.